Titeriteiro
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Queria parar de me decepcionar com as pessoas. Queria voltar a ser aquela pessoa de antes – tão seletiva que não tinha amigos.
O que mudou? Sempre me dei bem sozinho, sempre consegui o que quis. Sempre venci naquilo que batalhei, nunca tinha falhado. Até agora.
Submeti-me à comunidade. Tudo uma questão de adaptação, eu sei. Maldita adaptação, que só serve para mudar nossa essência. Desculpa, não soube me impor completamente nessa sociedade. Mudei muito para ser aceito.
E o que eu ganhei? Um sofrimento interno desconcertante, que me tira o rumo. E eu, no grau de imaturidade que ainda possuo e gosto de usá-lo, coloco a culpa das minhas falhas nessa falta de rumo.
Mas, caramba, o ato falho só existiu numa tentativa de acerto. Não tento fazer nada com a intenção de errar. Não. Não mesmo.
Errei contigo, precipitei-me em fazer algo que eu não tava preparado pra fazer: jogar-me de cabeça. Fui tão fundo em tão pouco tempo e agora to arrependido – logo eu, que tento fazer tudo tão certo pra não me arrepender. Troquei o certo pelo indefinido, o válido pelo afoito.
Agora, o orgulho não me deixa voltar atrás. Mas seria injusto não só comigo, mas com o outro. Não posso ser um titeriteiro, um marionetista, e ficar brincando de manipular os outros.
O arrependimento não mata – mas gosto de enxergá-lo como um grande aprendizado. É sempre bom tirar coisas positivas de coisas negativas, por mais contraditório que seja. E continuarei assim, mesmo sabendo que sempre sofro com as conseqüências – uma hora eu acerto.

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