Titeriteiro

Queria parar de me decepcionar com as pessoas. Queria voltar a ser aquela pessoa de antes – tão seletiva que não tinha amigos.

O que mudou? Sempre me dei bem sozinho, sempre consegui o que quis. Sempre venci naquilo que batalhei, nunca tinha falhado. Até agora.

Submeti-me à comunidade. Tudo uma questão de adaptação, eu sei. Maldita adaptação, que só serve para mudar nossa essência. Desculpa, não soube me impor completamente nessa sociedade. Mudei muito para ser aceito.

E o que eu ganhei? Um sofrimento interno desconcertante, que me tira o rumo. E eu, no grau de imaturidade que ainda possuo e gosto de usá-lo, coloco a culpa das minhas falhas nessa falta de rumo.

Mas, caramba, o ato falho só existiu numa tentativa de acerto. Não tento fazer nada com a intenção de errar. Não. Não mesmo.

Errei contigo, precipitei-me em fazer algo que eu não tava preparado pra fazer: jogar-me de cabeça. Fui tão fundo em tão pouco tempo e agora to arrependido – logo eu, que tento fazer tudo tão certo pra não me arrepender. Troquei o certo pelo indefinido, o válido pelo afoito.

Agora, o orgulho não me deixa voltar atrás. Mas seria injusto não só comigo, mas com o outro. Não posso ser um titeriteiro, um marionetista, e ficar brincando de manipular os outros.

O arrependimento não mata – mas gosto de enxergá-lo como um grande aprendizado. É sempre bom tirar coisas positivas de coisas negativas, por mais contraditório que seja. E continuarei assim, mesmo sabendo que sempre sofro com as conseqüências – uma hora eu acerto.

~ de Caio Spaolonzi em Março 25, 2008.

6 Respostas to “Titeriteiro”

  1. Eu acredito em erros que se convertem em aprendizado, sim. Muitas características de nossa personalidade se formam conforme a gente vai sofrendo, tropeçando e aprendendo com tudo isso, tirando boas lições de onde não conseguimos nos sair bem. É um fato de que ninguém pode se isolar e ser seletivo demais a ponto de não ter amigos (concordo com aquele clichê de “quem não tem amigos, não tem nada), mas vem o efeito colateral: muitas amizades, muitas decepções. As pessoas não são o que a gente espera delas, realmente.

    Poderia ser injusto tentar voltar atrás; mas eu creio que precisa dar uma chance para as coisas acontecerem. Depende apenas de você, e só de você. O orgulho é um dos grandes empecilhos para se conseguir viver bem, e plenamente. Quando conseguir passar por isso, as coisas vão ficar bem mais fáceis. Até a maneira de lidar com as decepções que a vida traz. Eu, pelo menos, acho isso.

  2. Eu acho que não é uma questão de erros e acertos. Tudo acontece por uma razão. Se não está dando tudo certo no momento atual, é apenas uma questão de tempo. Nem tudo pode estar como nós desejamos, infelizmente. É realmente tudo uma questão de aprendizagem, logo passa. Enfim, já estou falando merda, mas deu pra entender, acho. Luvya ;**

  3. Primeiro: você é a única pessoa que me faz abrir um dicionário assim que vejo o título do post. Se bem que, no post, dá pra entender o que é palavra, mas são sempre umas que eu não uso.

    E eu super me identifiquei com coisas que vc disse. Lembrei da música que tá no meu perfil: “I used to dim my light so you could shine // And that’s what hurts // It really hurts”.

  4. Olá,
    Chamo-me Ed.g, adorei o teu Blog e os teus ultimos textos. Peço-te que não pares porque achei as tuas palavras muito boas de se ler.

    Quanto ao texto,
    Na vida todos nós passámos por situações parecidas, e o teu desabafo ja foi um grande passo. Para a proxima ja saberás o que fazer, da forma correcta, em que não te sentirás como um “Titeriteiro”.

    “Cê Feliz e faz as pessoas á tua volta Felizes”

    Se poderes, dá uma passada pela lusitana ilusão.

    Um Abrço, Ed.g

  5. Posso roubar umas partes que me deram idéias?
    Roubei! :)

    Adorei o texto, já tinha te falado sobre o “a.mor”, não se lembra.. Enfim, continue!
    beijos!

  6. já escrevi, vê o que você acha de uma outra visão da sua idéia :)
    acabou sendo pessoal, mas pra quem não sabe, pode parecer apenas fórmula pronta…
    beijos!

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