a.mor

•Fevereiro 26, 2009 • Deixe um comentário

Amor. Palavrinha egoísta, se analisada com cautela. Quando amamos de uma maneira carnal, só é possível amar a um (ou a uma). Se amarmos mais de um (ou uma), pode ter certeza: não é amor. Afinal, como eu já disse anteriormente, o amor é egoísta.

E, analisando mais cautelosamente, podemos constatar como algo egoísta pode ser tão belo. Algo tão bucólico, tão puro… E individualista. Talvez seja nesse egoísmo, nessa individualidade, que more a pureza e o bucolismo.

Aprofundando mais um pouco, se é que me permite, podemos chegar a constatações estereotipadas. Bucolismo e Egoísmo: coisas distintas que, juntas, se completam, formando, assim, o amor. É o que dizem: o amor incide (se é que posso usar tal construção) quando dois indivíduos se completam. E, pelo menos a meu ver, dois sujeitos se completam a partir do momento que têm coisas díspares para compartilharem… Compartilhar. Mais uma palavra que se opõe à palavra egoísmo; e, mesmo assim, anda de mãos dadas com ela – pelo menos no amor.

Porém o amor, como bom egoísta que é, gosta de ser artificioso. Gosta de, desprevenidos, nos pegar. Afinal, é mais fácil assim – é mais simples a flecha do cupido nos acertar quando estamos com a guarda abaixada do que quando estamos esperando algo e, inconscientemente, levantamos o escudo.

E foi dessa maneira, artificiosa, que ele quis me apanhar. Se ele conseguiu? Você sabe melhor que eu. Se não tem ciência, deveria não só tê-la, como ter a incondicional fidúcia disso.

O amor me apanhou de jeito, rapaz. Sem balancear, sem mesmo até mirar, sem ambicionar, entrou no meu coração e se abrigou por lá, como se finalmente tivesse achado sua morada definitiva. Fazia um tempo que ele, o meu coração, não sabia como era ter o amor concupiscente dentro dele. Tantas decepções, tantos votos contra, tantas investidas baldadas… Ele estava realmente desistindo, desobrigando-se de acreditar que isso podia ser real, que isso podia acontecer de novo, que isso podia ter alguma força pra continuar.

E foi você, somente você, que mandou uma mensagem curta e direta pra ele, sem titubear. Mostrou a ele que ainda há esperanças, que ainda há oportunidade de existir algo bonito. Que o amor existe… E que é infindável enquanto existe.

A felicidade foi bem grande, devo dizer. A batida dele, antes desengonçada e sem ritmo, agora batuca novas canções, ritmos novos… Ele está experimentando coisas novas, sabe disso, e espelha isso como se estivesse dançando junto com o seu coração, como se o nosso coração fosse um só… Colados.

Sinto-me conexo a você. Cada passo meu é como se fosse um passo seu. Cada palavra minha é como se fosse uma sua. Em cada momento de solidão, desejo sua presença ali, a de mais nenhuma pessoa. Pensar em você é confortante, pensar no seu carinho é confortante. Pensar que tem alguma pessoa, mesmo distante, que pensa em mim com uma intensidade teoricamente alienada (não que isso seja ruim, afinal, eu também penso com uma veemência insana) é mais do que confortante.

Eu te fiz prisioneiro dos meus pensamentos, dos meus desejos – confidenciais e públicos. Fiz com orgulho, com prazer. Fico feliz que o primeiro pensamento que vem a minha cabeça quando acordo é você – a sua imagem, o seu ser, o seu espírito. Imagino você tentando me acordar, puxando-me da cama por não querer abrir os olhos… Dando tapas na minha cabeça e me beliscando até que, finalmente, eu desperte.

Fico olhando pro nada tentando, apenas tentando, arquitetar minha rotina com você – se seria realmente uma rotina, ou dias seguidos de mais dias, com tanta coisa nova pra se descobrir e viver em cada dia que a palavra “rotina”, pelo menos no seu significado conotativo, entraria em desuso no nosso vocabulário.

E é nessa rotina, se é que ela iria existir e ter o real significado conotativo de rotina, que eu queria viver com você – o guri que achou a chave do meu coração e a abriu sem medo. Sem achar que era uma caixa de pandora que iria destruir o mundo. Obrigado pelo voto de confiança.

Agora, depois de tanto, resumo-me dizendo: Eu Te Amo. Nunca duvide disso quando eu disser. Acredite: se um dia a chama apagar (coisa que pode acontecer, mas eu não creio que vá acontecer), eu te falarei – não serei dissimulado a ponto de dizer algo que não sinto, e quero que saiba disso. Espero que tenha conseguido mostrar um pouco do que sinto e do que acho de você com esse texto.

Agradeço por ter entrado na minha vida. Você deu mais cor aos meus olhos ressecados e cansados. Agradeço por ser tão espontâneo e verdadeiro comigo. Agradeço por não ter medo, nem mesmo vergonha, de falar do que sente. Agradeço por me completar com suas particularidades. Agradeço por me amar com a mesma fervura que eu te amo. E espero que você tenha a mesma visão, a mesma opinião que eu tenho. Agradeço por ser essa pessoa maravilhosa que é…

Agradeço por ser Você. Aquele que eu amo.

Titeriteiro

•Fevereiro 26, 2009 • Deixe um comentário

Queria parar de me decepcionar com as pessoas. Queria voltar a ser aquela pessoa de antes – tão seletiva que não tinha amigos.

O que mudou? Sempre me dei bem sozinho, sempre consegui o que quis. Sempre venci naquilo que batalhei, nunca tinha falhado. Até agora.

Submeti-me à comunidade. Tudo uma questão de adaptação, eu sei. Maldita adaptação, que só serve para mudar nossa essência. Desculpa, não soube me impor completamente nessa sociedade. Mudei muito para ser aceito.

E o que eu ganhei? Um sofrimento interno desconcertante, que me tira o rumo. E eu, no grau de imaturidade que ainda possuo e gosto de usá-lo, coloco a culpa das minhas falhas nessa falta de rumo.

Mas, caramba, o ato falho só existiu numa tentativa de acerto. Não tento fazer nada com a intenção de errar. Não. Não mesmo.

Errei contigo, precipitei-me em fazer algo que eu não tava preparado pra fazer: jogar-me de cabeça. Fui tão fundo em tão pouco tempo e agora to arrependido – logo eu, que tento fazer tudo tão certo pra não me arrepender. Troquei o certo pelo indefinido, o válido pelo afoito.

Agora, o orgulho não me deixa voltar atrás. Mas seria injusto não só comigo, mas com o outro. Não posso ser um titeriteiro, um marionetista, e ficar brincando de manipular os outros.

O arrependimento não mata – mas gosto de enxergá-lo como um grande aprendizado. É sempre bom tirar coisas positivas de coisas negativas, por mais contraditório que seja. E continuarei assim, mesmo sabendo que sempre sofro com as conseqüências – uma hora eu acerto.

Àquele Homem

•Fevereiro 26, 2009 • Deixe um comentário

Àquele Homem

A ânsia por mais uma golada do sexo.

O sexo nunca fora seu melhor amigo. Tinha uma cabeça tão infantil que o sexo lhe parecia algo distante – logo, quando o fazia, não tinha certeza do que estava fazendo, se aquilo era correto, certo.

Porém, depois de algumas latas de sua bebida alcoólica favorita, precisava de sexo.

Abre a calça…

“Sexo não. Amor.”, repetia para si. Não era o simples ato sexual que ele queria. Tinha uma pessoa específica que ele desejava. Mas ela não estava no alcance de suas mãos. Não por ser melhor ou pior que ele, pelo contrário. Completavam-se muito bem, sabiam coisas um do outro só pelo olhar… Mesmo com pouco tempo de convivência. Mas, às vezes, a distância pode atrapalhar o que o destino nos reserva. Incrível como a tecnologia consegue quebrar barreiras como o destino.

Tira a calça…

Pensava nele, somente nele. Mais um imaturo amor homossexual. Pensava nos lábios, nos olhos, no nariz… No cabelo levemente despenteado.

Acariciando por cima da cueca…

Sabia que com aquele podia ser feliz. Pela segunda vez na vida teve certeza que aquele era o garoto certo. O primeiro ainda estava em seu coração, mas ele sabia que não pertenciam mais um ao outro.

Cueca no chão, movimentos intensos…

Não sabia se algum dia seria feliz – amorosamente falando. Não sabia o que Deus, se é que ele acreditava em Deus, queria dizer com tudo aquilo. Era coisa demais pra assimilar ao mesmo tempo. Tanta coisa em vão, jogadas num muro para ser discutido depois.

Quase lá…

O segundo certo, o primeiro com tanto tesão.

Quase lá…

A bebida fazia com que ele estivesse próximo.

Quase lá…

Não sentia seu toque, mas sentia sua respiração próxima.

Quase…

Queria aquele homem, HOMEM, pro resto de sua vida.

Queria. Queria. Quase… Quase lá… Queria aquele Homem, ah, como queria… Quase lá… Quase lá… É. Queria.

Tálamo

•Fevereiro 26, 2009 • Deixe um comentário

Tálamo

Via-se numa posição clichê.

Sozinho, numa mesa de bar, bebendo. Sábado à noite. Único período que não trabalhava.

Uma dose atrás da outra. Demorara anos pra entender o porquê das pessoas beberem uma atrás da outra – mas agora podia perceber. O gosto amargo era fortemente enganado pela próxima dose. Esse ciclo, até certo ponto vicioso, lhe traria a bebedeira falsamente não desejada.

Não bebia por ser corno ou por falta de amante – aliás, se tinha algo que ele podia se gabar era a não quietação em seu tálamo. No começo, fazia questão de anotar o nome de cada uma (ou cada um, como desejar) que passava por lá no assoalho, em baixo do tálamo (isso quando sabia o nome). Porém o espaço lotou após um mês e meio, o que o fez desistir de continuar. Afinal, nunca iria parar pra ler quantas pessoas ele já havia tragado em seu tálamo.

Talvez esse fosse o motivo de sua caminhada. Ele insistia em achar que pensava melhor bêbado, mesmo sabendo que depois iria vomitar tudo que havia ingerido e apenas pensaria se dormiria no chão do banheiro mesmo ou em seu tálamo. Mas, mesmo assim, bebia para saber o motivo de tantas pessoas em seu tálamo, e ninguém no seu coração.

Olhava seu reflexo no espelho que estava a sua frente. Via uma pessoa clichê. Sentia-se sem personalidade por não conseguir nem dar um rumo criativo na sua vidinha miserável.

Qual era a graça, afinal, de dormir com tantas mulheres? Com tantos homens? Às vezes sentia raiva de ser tão bonito.

Aquele sorriso que ele tanto odiava, mas que as pessoas morreriam para ter. Toda vez que conseguia ver seu sorriso, via algo falso, totalmente irônico – uma ironia completando uma falsidade.

Seus músculos já estavam cansados de tanto falso prazer. Seu cérebro estava esfalfado de exigir tanto e não conseguir nada.

Pagou a conta e se levantou. Saiu do bar e caminhou até sua casa – do outro lado da rua. Entrou, foi para o banheiro e despejou os quarenta dólares gastos em bebida pela privada. Sem nenhuma vontade, levantou-se do chão do banheiro, foi para o quarto e se jogou em seu tálamo. Espiou por baixo do tálamo e viu todos os nomes.

Quis chorar.

Sentiu medo de não se conhecer. Pousou a cabeça no travesseiro e adormeceu. Sabia que o arrependimento passaria no dia seguinte, com algum cliente novo precisando urgentemente de seus serviços.

Voltando \o\

•Fevereiro 26, 2009 • Deixe um comentário
Voltei.

Resolvi voltar com o blog. Já vou postar de uma vez alguns dos textos antigos, uns novos. Apreciem :B